Friday, July 29, 2016

Por trás da Cortina: Intimidade com Rory Gallagher

Escrito por: Steve Rosen


Nesse mês em “Behind The Curtain”, Steve Rosen reconta uma relação especial com o falecido ícone da guitarra, Rory Gallagher. 
Gallagher foi um herói relutante, um irlandês de fala macia fora dos palcos, totalmente diferente do gigante personagem que os fãs viram no palco.
Quando você via o diminuto músico de Ballyshannon, County Donegal, Irlanda, lá no palco, pulando e arregaçando os acordes mais enérgicos de blues que já se ouviu alguém tocar, jamais imaginaria que Rory possuía outro lado mais tranquilo. Mas ele possuía e eu testemunhei esse lado mais suave em algumas ocasiões.

Conheci e entrevistei William
Rory Gallagher em 1974, quando ele excursionava pelos EUA. Ele acabara de lançar 'Tattoo', seu quarto álbum solo, e estava se apresentando em West Hollywood, no Starwood Club com sua banda—Gerry McAvoy [baixo], Lou Martin [teclados] e Rod de’Ath [bateria]. Embora o dotado guitarrista houvesse lançado três álbuns anteriores como artista solo e dois discos como parte do trio de rock pesado Taste, Gallagher jamais obteve fama nos EUA.
Mesmo assim, ele excursionou várias vezes pela América e nessa jornada em particular, eu tive a grande sorte de conversar com ele. Antes de me encontrar com ele em seu hotel— é difícil lembrar exatamente onde a entrevista aconteceu mas posso apostar que nossa conversa ocorreu no Continental Hyatt House, na Sunset Boulevard — eu retornei e escutei a música de Rory e estudei sua história.
Ele nasceu em 2 de março de 1949 e passou pela rotina normal de tocar em diversas bandas ainda enquanto frequentava a escola. Essas bandas compunham músicas para os bailes locais e outras atividades cívicas. Entretanto, antes mesmo de ele pegar numa guitarra elétrica, o jovem músico dedilhava uma variedade enorme de instrumentos acústicos.
“Eu estava tocando um ukulele de Elvis Presley que adquiri na loja Woolworth’s,” ele me disse mais tarde. Quando tinha 13 anos de idade ele pegou em um instrumento elétrico pela primeira vez. No começo, Rory não tinha nenhum interesse verdadeiro de plugar num amplificador e aumentar o volume. Ele estava apaixonado pela música “skiffle”, uma forma popular de música folk inglesa e irlandesa executada em “washtub bass” [uma bacia de lavar roupas com uma corda só, que se tocava com um pé sobre ela] e pentes. Àquela época, quando ainda experimentava um violão, ele provavelmente pensava que uma guitarra elétrica não era pura o bastante para satisfazer seus anseios musicais tradicionais. Seis cordas.
Rory acabou comprando uma Rosetti Solid 7, que ligou a um amplificador Little Giant. Com saída de quatro watts — provavelmente não muito mais alto do que um rádio transistor no volume máximo — o som aos ouvidos do jovem guitarrista foi como uma voz vinda do céu.
Gallagher foi fisgado e se tornou elétrico. Com certeza ele afinou a guitarra, plugou e arrasou. Por fim, tocou com uma série de bandas e trocou de guitarra todo ano. Ele acabou se juntando à Fontana, uma banda irlandesa que excursionava não apenas em sua terra natal, mas também no Reino Unido. Foi com o dinheiro que ganhou nessa banda que ele conseguiu pagar as prestações de uma Fender Stratocaster, a guitarra que mudaria para sempre sua vida e a de todos que o ouviram tocá-la.

A infame Stratocaster caiu nas mãos de Rory quando ele tinha 15 anos. Outro guitarrista a havia possuído por cerca de três meses quando Gallagher se apossou dela. Essa Fender era um modelo do final de 1959 que acabaria sendo tocada em virtualmente todos os discos e todos os shows que Rory fez. “Em todos aqueles agitados shows do Taste,” ele me disse mais tarde, “o escudo entortou certa noite e soltou da guitarra.”
Ela ganhou um novo escudo. Além do mais, a ponte foi trocada para diminuir o atrito e depois que a alavanca caiu outra noite, ela foi removida completamente. Para compensar a perda do vibrato, Rory inseriu um pequeno calço dentro da ponte para evitar que o cavalete se movesse e manter as outras cordas afinadas se uma delas quebrasse.
“Jamais recoloquei o vibrato porque não gosto dele particularmente,” ele me diz. “Eu gosto do acessório Clarence White onde você pode curvar a segunda ou terceira corda um tom acima. Mas quanto à alavanca, eu tento fazer o som de vibrato com meus dedos, embora fosse divertido antigamente nos bailinhos, quando eu estava fazendo um som dançante com a guitarra e fazia “wooo” [imitando o som de entortar a corda da guitarra com a alavanca].
Ele deixou a banda Fontana e se juntou à Impact, e já em 1965 estava tocando covers de Chuck Berry em Hamburgo. As plateias alemãs estavam familiarizadas com o blues americano desde que ouviram um quarteto de Liverpool tocando essas mesmas músicas. Rory logo sentiu a irresistível necessidade de formar sua própria banda, e em 1966 ele formou o trio Taste, que fazia um blues rock pesadão que abriria shows para o Blind Faith nos EUA e Canadá. O Taste gravou quatro álbuns— dois de estúdio e dois ao vivo — e embora tenha alcançado certa fama na Inglaterra e Europa, Gallagher desfez o trio e embarcou em carreira solo.
O Taste acabou logo após tocar no festival de Isle of Wight em 1970. Gallagher começou sua carreira solo na década dos anos de 1970 e esse seria seu período mais prolífico. Em 1974, quando nos conhecemos, o guitarrista havia lançado três álbuns anteriores a Tattoo, incluindo Rory Gallagher, Deuce e Blueprint. Ele ainda esperava fazer sucesso na América, mas com o lançamento de Tattoo, o guitarrista chegaria mais próximo da popularidade nos EUA.
Cheguei eu seu hotel no começo da tarde e fui imediatamente surpreendido pela baixa estatura de Rory. No palco ele parecia medir 1,82m, mas na realidade media 1,70m. Ele me saudou com seu sotaque irlandês carregado e logo nos absorvemos em uma conversa sobre as diferenças entre Fenders e Gibsons.
“Não ficou tão à vontade com elas”, ele diz sobre as guitarras Gibson. “Obviamente sou um músico Fender. Não consigo obter a clareza de uma Gibson, a clareza metálica que se consegue com uma Fender. Você tira ritmos sincopados com a maioria das Gibsons. Existem algumas raras Gibsons, que são maravilhosas. Você consegue tirar um acorde de textura bem rústica da Gibson que em uma Fender às vezes é difícil de obter. Não acho que ela chegue tão longe quanto uma Fender - uma Fender passa do limite de sua capacidade. Mesmo tocando com um pequeno amplificador em uma enorme banda de metais, embora uma Fender não seja tão barulhenta, ela sempre passa do limite. Essa é a principal diferença”.
Conversamos por um bom tempo e Rory revelou o lado sossegado de sua personalidade. Desapareceu toda a sua bravura e o fogo que ele criava em suas aparições no palco. Isso foi substituído por um sentido de humildade - quando lhe disse que ele criara um dos sons mais inigualáveis de todos os tempos com a Stratocaster, ele gaguejou e quase perdeu a fala - verdadeira modéstia.
Porém, durante nossa conversa, Rory ficava me olhando de um jeito estranho. Não consegui descobrir o que era. Ele parecia estar curtindo nosso papo e nunca fez nada como olhar para o relógio ou limpar a garganta em um gesto que indicava “Está na hora de encerrar”. Ao invés disso nós falamos sobre guitarras e amplificadores e sua teoria de como tocar. “Eu gosto de manter o estilo acústico,” ele explica. É claro que gosto do lado elétrico, mas curto muito o violão. Não quero abraçar aquele estilo popular do blues - tocar notas simples e depois largar o violão e só cantar. Curto muito obter o máximo possível de um violão, e é para isso que ele serve. Sou quase fã, se me permite dizer, do estilo violão clássico. [o espanhol Andres] Segóvia defendia o conceito de obter tudo o que se pode do violão com o uso de todos os dedos e todo meio possível. Existem milhares de coisas que se pode conseguir. Às vezes você consegue obter com um acessório eletrônico, mas essa é a beleza do instrumento”.
Conversamos mais um pouco e ele continuava olhando para mim. Por fim eu tive que dizer “Rory, eu fiz algo de errado? Você fica me olhando e não sei o que eu fiz.” O irlandês baixinho abriu um sorriso e disse “Não, não, não”, disse com seu sotaque irlandês tão indecifrável quanto charmoso. “Eu estava apenas olhando para sua jaqueta”. Eu não fazia ideia do que ele estava falando. Sem me lembrar do que eu tinha vestido, olhei para baixo e vi que estava usando uma jaqueta Levis branca. Achei que estava me gozando, já que ele usava uma jaqueta jeans. Na verdade, sempre que você vir uma foto de Rory no palco, ele estará quase sempre usando uma jaqueta combinando com sua calça jeans.
Acontece que as jaquetas Levis brancas eram muito raras na Irlanda e ele apenas vira algumas poucas vezes. Conversamos mais algum tempo e percebi que a conversa estava perto do fim. Não pensei duas vezes em seus comentários sobre a minha jaqueta. Porém, quando eu estava saindo, ele me disse, “É uma jaqueta muito bonita”. Nessa altura eu soube o quanto ele gostou dela. Não passava de uma jaqueta qualquer para mim, portanto eu a tirei e disse, “Eu gostaria de dá-la a você”. Ele ficou bastante vermelho e começou a gaguejar e repetia. “Não, eu não posso. Obrigado. Eu não posso.” Eu disse “Por favor, seria muito importante para mim se você a aceitasse.” Ele estendeu a mão e eu pus a jaqueta em seus braços e ele ficou genuinamente impressionado. Era como se ele estivesse segurando o Cálice Sagrado. Ele não sabia como me agradecer. Estava absolutamente contente e quando a vestiu e ela serviu, ele abriu um sorriso que iluminou todo o ambiente. Ele me convidou para seu show daquela noite no Starwood e eu lhe disse que não perderia por nada. Rory tocou de maneira brilhante, incluindo várias músicas do álbum Tattoo - “Tattoo’d Lady”, “Cradle Rock”, e “A Million Miles Away” - que se tornariam clássicos, e quando ele as tocou naquela noite, ficou fácil de ver porque elas seriam executadas muitas vezes no futuro. Após o show, eu subi para a área VIP e encontrei com Donal, o irmão de Rory.
Conheci Donal brevemente quando ele entrou durante a entrevista por um momento. Ele me dissera que Rory estava absolutamente incrédulo por eu lhe ter dado minha jaqueta. Eu disse a Donal que estava feliz por fazê-lo e agora estava no direito de dizer que Rory usava uma das minhas jaquetas. Ele me deu um pequeno estojo e disse que sua equipe havia confeccionado poucas unidades desse objeto para os músicos e pessoas próximas da banda. Ele me disse que Rory queria que eu o aceitasse. Eu lhe agradeci e abri o estojo. Achei que era uma espécie de button ou algo parecido, mas o que vi me deixou boquiaberto. Era “o” broche de Rory Gallagher. Era um broche prateado no formato de uma guitarra, medindo cerca de 5cm de comprimento com a inscrição “Rory Gallagher” em alto relevo. O broche era lindo e valia muito mais do que a jaqueta que eu dera a Rory. Eu disse a Donal que seu irmão não devia dar aquilo para mim e embora eu estivesse honrado e tocado pelo sentimento, não era necessário. Donal insistiu para eu aceitar e repetiu o quanto Rory queria que eu ficasse com ele. Eu não podia acreditar que eles estavam dando aquilo para mim. Ainda possuo esse broche e o estou usando enquanto escrevo isso. Ele está um pouco gasto e não tanto lustroso quanto antigamente, mas eu não o troco nem por um punhado de diamantes. Topei com Rory alguns anos mais tarde quando ele voltou a excursionar pelos EUA. Embora tenhamos nos encontrado algumas vezes, eu sinto que éramos verdadeiros amigos - ou ao menos tão amigos quanto se pode ser de alguém que se encontrou algumas poucas vezes. 
Rory continuou a tocar e excursionar e gravar ótimos discos, mas tudo isso acabou no dia 14 de junho de 1995, quando ele faleceu. Ele adorava jaquetas de jeans Levis, mas gostava mais de beber. Ele passaria por um transplante de fígado em 1995, mas faleceu mais tarde devido à complicações. Ele tinha apenas 47 anos de idade.
Sinto uma terrível falta dele. Eu entrevistei dezenas de músicos que já faleceram, mas a morte de Rory me causou um baque forte. Tudo em que consegui pensar quando soube de seu falecimento foi no olhar em seu rosto quando eu lhe dei minha jaqueta e ele a segurou em seus braços. Eu sabia o quanto ela significava para ele e o que ele nunca soube é o quanto aquilo significou para mim. Quando Donal me deu o broche, ele disse “Rory gosta de você”. Eu penso muito nisso e agora que estou encerrando essa história, meu coração está pesado mas há um sorriso em meu rosto.
Eu sei que em algum lugar lá do paraíso das guitarras Rory Gallagher ainda está dedilhando acordes na sua Strat ’59 - e está bastante elegante em sua jaqueta Levis branca. (Fonte: www.rockcellarmagazine.com - abril/2016)

Flo & Eddie, Happy Together - Parte 1

Entrevista com Mark Volman e Howard Kaylan (vulgos “Flo & Eddie”), ex-vocalistas da banda The Turtles e The Mothers Of Invention, de Frank Zappa. Entrevista conduzida por Co de Kloet, para o programa “Supplement”, em sua Radio NOS (Holanda), cedida para o fanzine americano “Society Pages”, em comemoração do aniversário de 50 anos de  FZ, em 30 de outubro de 1990.

Co de Kloet: Nesse momento estamos em Nova Iorque, e finalmente temos os convidados especiais de nosso programa dessa noite. Cavalheiros, talvez seja melhor vocês se apresentarem, por gentileza.

Mark Volman: Eu sou Mark Volman e sou conhecido como “Flo”.
Howard Kaylan: Sou Howard Kaylan e sou a outra metade da equipe. Às vezes as pessoas me chamam de “Eddie”.

CdK: Então seriam Flo & Eddie, os famosos Turtles, os famosos Mothers, os famosos vocalistas. É um prazer imenso recebê-los em nosso programa.

MV&HK: (juntos) Obrigado.

CdK: Você devem saber que estamos comemorando o 50º aniversário do Frank, nesse momento e…
MK: Vamos comprar um relógio para ele (muitas gargalhadas).

CdK: Vamos comprar um relógio de ouro. Antes de falarmos disso, o que vocês fazem nesse momento em Nova Iorque?

HK: Agora, em NY, estamos no rádio todo dia à tarde, entre as duas e seis da tarde. Fazemos quatro horas por dia. Estamos em uma estação chamada “K-Rock”. Tocamos discos de “classic rock and roll” dos Beatles, The Who, Stones, Zeppelin e Grateful Dead, esse tipo de som, e entre esses discos, quando os microfones estão ligados, nós agimos com naturalidade. Não temos roteiro. Não sabemos tanto sobre esses discos como os DJs que já estão no ramo há trinta anos. Tudo que sabemos é que somos sócios. Estávamos por perto nos anos sessenta e setenta quando esses discos foram gravados, portanto, trazemos um lance único à radio daqui de NY, porque nenhum outro DJ na parte da tarde pode dizer “Ora, eu estive num quarto de hotel com Marc Bolan, e aprendemos essas músicas, sabe, ficamos chapados juntos e fizemos sei lá o que…” Eles não têm essas lembranças. Eles podem adivinhar o que rolava, mas não podem contar o que rolava. Esse é nosso senso de humor, eu acho, que é único nas rádios de NY. Estamos curtindo pra valer. [NE: Flo & Eddie deixaram recentemente a K-Rock e retornaram a Los Angeles].

MV: E ainda estamos excursionando como “The Turtles”, o grupo que formamos em meados dos anos sessenta, quando éramos colegiais, e tivemos bastante espaço nas paradas americanas, assim como no resto do mundo. The Turtles ainda viajam como Flo & Eddie. Até esse ano, a gente fazia mais de cem apresentações por ano. Por causa do rádio tivemos que reduzir nossos shows até quase a metade esse ano em particular, mas continuamos pegando firme no circuito, em festivais, muitos parques temáticos na América, e o sucesso da música dos anos sessenta se tornou prioridade máxima nas rádios americanas. Com essas viagens e o programa no rádio não nos restou muito tempo para relaxar. Nosso programa é de quatro horas por dia, cinco dias por semana. É um grande desafio para nós ter a esperança de obter um sucesso no rádio como o que obtivemos na música.

CdK: Sim. As pessoas podem pensar que isso é um lance “revival”, mas pessoalmente acredito que talvez, por causa do que anda rolando agora, deve existir o fator de alívio ouvir esse material.

HK: Sim, existe. Creio que você está absolutamente correto, especialmente porque a música dos anos noventa, até agora, não é tão boa (risadas). Quer dizer, algumas são. Não estou dizendo que é de todo ruim. Tem muita coisa boa por aí, mas não é como antigamente. Nos EUA, nos anos 60 e 70, quando você ligava o rádio, podia-se escutar Frank Zappa, The Supremes. Você podia escutar Eric Burdon & The Animals, Otis Redding. Você podia escutar todo mundo na mesma estação. E agora, na América, você tem que decidir que tipo de música quer escutar. Se quiser escutar “rap”, é em uma estação. Se quiser escutar “black music”, é em outra estação. As “antigas” estão em outra estação. As coisas novas estão em outra.
MV: Outra questão é que a televisão americana se tornou uma ferramenta valiosa para vender música do passado também. Programas como “The Wonder Years”, “Happy Days”, filmes como “Bom Dia Vietnã”, “China Beach”, que é um programa de enorme sucesso… todos eles recontam o que eram os anos sessenta, seja o Vietnã, ou apenas o que era crescer com a inocência daquela época, e com isso eles tocam as músicas dos anos sessenta.
HK: Muitas pessoas ligam um certo romantismo aos anos sessenta que pode ou não ter existido. Que dizer, quando vivíamos aquela época, e estávamos tocando nos Turtles, aquilo era, de um modo geral, música alegre, porque o que rolava no resto do mundo não tinha nada de alegre. Estávamos tentando criar uma espécie de equilíbrio. Todo mundo olha para trás e se lembra como era maravilhoso os anos sessenta, mas o que não se lembram é que, o único motivo pelo que estávamos felizes é que havia tanta merda no mundo que tentávamos fazer algo que fosse mais “pra cima”. Poucas pessoas se lembram que muitos americanos estavam combatendo na guerra durante aquele período. Aquela não era um época muito agradável na América. Nós tentamos fazer o “Verão do Amor”. Por aqui era o “Verão do Amor”, do outro lado do oceano não era.

CdK: E novamente, o humor na música era mais apropriado, não era?

HK: Sim, era. Era mais vívido, era mais “antiquado”. Quer dizer, embora, especialmente com Frank, a gente forçava a barra, por assim dizer, tentávamos passar ilesos o máximo que se podia. De modo geral, muita música daquela época não fazia isso. No geral, muitas músicas eram reacionárias.
MV: Muitos artistas tinham bom humor, muitos músicos diferentes. Stan Frieberg provavelmente era o mais conhecido e famoso por gravar discos…
HK: Nos anos cinquenta
MV: Nos anos cinquenta… como humorista. Mas quando Frank Zappa surgiu com FREAK OUT! e ABSOLUTELY FREE, Frank estava provavelmente dando umas cutucadas na geração que estava crescendo com aqueles colares de contas e fumando maconha, a geração “paz e amor”, e Frank tinha um jeito único para absorver o que estava rolando e escrevia a respeito, tirava sarro, e ainda era capaz de vender para um certo público. Muitas músicas dele nunca tiveram espaço nas rádios até que certas estações chutaram o balde no final dos anos sessenta, quando as rádios universitárias se tornaram mais influentes, as estações de FM começaram a dominar e o formato “álbum” se tornou mais importante do que as músicas dos “singles”. Frank se tornou um dos pioneiros do estilo de música alternativa, e provavelmente um dos motivos de termos a sorte de chegar à quarta década como grupo, como uma organização bem sucedida como Flo & Eddie. Provavelmente tem muito a ver com o fato de deixarmos a década de 60 dos Turtles para trás e acompanhar Frank Zappa e fazer tudo o que qualquer artista das antigas estava tentando fazer, que era sair do formato “pop”, das “40 mais”, e Frank trazendo Flo & Eddie dos Turtles e seu “som pop” para a música dele ocasionou duas coisas: trouxe o pop até Frank, sua habilidade de fazer mais “vocalizações” e o tipo de humor que sabíamos fazer meio que sacudiu o rock'n'roll, mas ao mesmo tempo, aquilo deu a Howard e a mim o início de uma nova história que acabou virando “Flo & Eddie”, e rompeu aquele formato.
HK: Isso também levou Frank ao rádio, e vice-versa. O rádio começou a prestar mais atenção, porque era quase acessível. Frank era genial. Ele é um cara brilhante. Não preciso te dizer isso, mas parte de seu brilhantismo é que, enquanto os hippies estavam marchando com seus sinais de protesto e colares de contas, e as gerações continuavam mudando, as pessoas continuavam a fumar maconha e experimentando coisas que ainda eram novidade para elas, Frank nunca caiu nos modismos. Ele sempre se manteve fiel a si mesmo. Então ele observava aquelas coisas e não botava uma fé! Apenas escrevia a respeito. Ele era apenas um observador, o melhor observador do rock'n'roll que nossa geração já teve porque ele nunca foi um “embalo”. Ele jamais se juntou a quaisquer desses movimentos. Sempre fazia comentários a respeito, e na maioria das vezes, as pessoas sobre a quais ele comentava eram as que acabavam comprando seus discos, e nunca entendiam que ele falava sobre elas! Ele estava sempre falando dos jovens americanos. Até nos concertos falava, até hoje, ele diz “Falaí, moçada! Como estão?” Ele as trata como se fossem seus alunos… e são mesmo!  Se são inteligentes o bastante e prestam atenção ao que Frank lhes diz e toca para elas, podem aprender muito sobre música, sobre cultura, e se tomarem algum tempo, podem aprender muito sobre si mesmas.
MV: E não é no sentido negativo. Uma das coisas que surgiu nos anos com Frank Zappa e nós foi a afirmação que sempre foi parte do modo conceitual de compôr de Frank, que era “Tudo bem estar na moda e ainda ter senso de humor”. Frank era capaz de pegar o elemento rock/pop do sucesso dos Turtles, e aquilo nos permitia satirizar a história do rock da qual fizemos parte como The Turtles, e foi algo que Frank nunca teve. Quer queira ou não ter aspirado nessa direção, ele nunca teve aquele negócio de “as 10 mais” como garantia de sucesso na época que entramos em sua banda, e aquilo se tornou nosso alvo de comédia.
HK: Em seu primeiro album há uma frase na contracapa que diz, “Vou limpar esses meninos um pouquinho e torná-los…”
MV&HK: (em uníssono)… tão famosos quanto os Turtles…”
HK: “Um renomado DJ de Los Angeles”. Aquele DJ era Reb Foster, nosso agente naquele época. Aquilo foi uma verdadeira citação, foi dita ao Frank. Parece meio irônico que, muitos anos depois nós chegamos a Frank e ele nos tenha tornado tão famosos quanto os Mothers (gargalhadas), mas nós crescemos meio que juntos, em 65 e 66, quando estávamos começando. Todos nós tocávamos na Sunset Strip. Conhecíamos Frank e sua música, portanto era questão de provar a nosso grupo, a outros músicos e às pessoas das rádios em todo o país que éramos tão famosos quanto os Turtles, e Frank nos deu a capacidade de cruzar as fronteiras musicais e chegar bem próximos, quero dizer, dos Turtles – pop de AM, e sendo os Mothers – grosseiros demais para as rádios FM, não éramos tão diferentes. Apenas músicos querendo ganhar uma grana.

CdK: Mas vocês  eram… deixem-me tentar relembrar direito… Acho que foram os primeiros músicos famosos que ele acrescentou à banda dele. Quero dizer, todo mundo se tornou famoso através dos Mothers.

HK: Toda aquela banda dos Mothers of Invention a quem nos juntamos era composta de superastros, eu acho.
MV: Frank costumava dizer que era a única banda que ele tinha onde todo mundo poderia sair e liderar sua própria banda. Além de Flo & Eddie, ele tinha Aynsley Dunbar, que tinha feito sucesso na carreira na Inglaterra com a Retaliation, com os Bluesbreakers de John Mayall. George Duke estava na banda. À época, George não era conhecido pelo sucesso que conseguira mais tarde como produtor de Anita Baker, Philip Bailey e muitos outros astros bem sucedidos dos anos oitenta e noventa. Don Preston, Ian Underwood, Jeff Simmons, que tinha gravado um disco com Frank, LUCILLE HAS MESSED MY MIND UP. Foi uma experiência única trabalhar com todos aqueles músicos, porque tínhamos estado em uma banda, uma organização democrática onde todo mundo dividia tudo, e entrar na banda de Frank, agora estávamos em uma banda onde respondíamos a um líder…
HK: Uma monarquia, sem dúvida.
MV: Sim. Nós aprendemos, trabalhando com Frank, uma maneira completamente diferente de organização, que foi como montamos nossas bandas depois que deixamos os Mothers of Invention. Éramos líderes e aprendemos com a organização de Frank como aquilo poderia funcionar de maneira bem sucedida. Uma das coisas que aprendemos com Frank, como Flo & Eddie era que uma carreira para nós não era de sucesso ano a ano, álbum por álbum, projeto por projeto. E artisticamente, pudemos olhar para nossa carreira como um todo, percebendo que as pessoas não irão julgar o que fizemos como artistas. Mas somos uma lembrança na história da música, e as pessoas poderão ver mais do que contribuímos como resultado final e aquilo que aprendemos trabalhando com os Mothers of Invention, e é o tipo de pessoa que é o Frank. Ele pensa em sua carreira como a obra de uma vida, e nós usamos a mesma filosofia.

CdK: Quando vocês resolveram usar o nome “Flo & Eddie”. Sendo que “flo” é abreviação de “fluorescent”?

MV: Bem, nós tínhamos dois membros da banda que eram na verdade da equipe técnica: um espanhol bem louco e ostentoso que sempre vivia “cerrando” coisas na banda: cigarro, esposas, e dinheiro (gargalhadas), e apelidamos ele de “Sanguessuga Fluorescente”. Seu nome verdadeiro era Carlos Bernal. Também tínhamos um sujeito que era bem certinho, nós sempre dizemos “presidente da fraternidade”, um sujeito simples, de cabelo curto, bastante articulado, bem inteligente, e costumávamos chamá-lo de “Eddie”. Seu nome verdadeiro era Dennis Jones. Quando os Turtles acabaram, estávamos  em litígio onde a gravadora processou cada membro da banda porque tínhamos contratos individuais e coletivos, e Mark Volman e Howard Kaylan não podiam legalmente fazer discos solo quando os Turtles acabaram. Portanto, nos juntamos à banda de Frank… fizemos um álbum, na verdade cantamos em umas seis músicas de um álbum chamado CHUNGA’S REVENGE. Frank disse, “O álbum está para sair. Como vocês se chamarão?” A gente disse “Que tal The Phlorescent Leech e Eddie? Ele riu e disse “Soa muito bom. Vamos usar esses nomes.” Howard era “The Phlorescent Leech” e eu era “Eddie”, porque aquilo não nos importava muito. A gente procurou um monte de nomes chamativos, mas nenhum soava bom, portanto o nome The Phlorescent Leech e Eddie surgiu. À época em que gravamos o álbum branco Fillmore East, Live 1971, riscamos aquilo dizendo “Queremos ser conhecidos como Mark Volman e Howard Kaylan”, e decidimos usar nossos próprios nomes, e até no filme "200 Motels", The Phlorescent Leech and Eddie aparece na seção animada quando Jeff está roubando o quarto na metade do filme. Quando deixamos os Mothers, a gravadora Warner Brothers achou que o nome “Flo & Eddie” era conhecido para um certo tipo de público que nos conhecia dos tempos de Zappa, e mantivemos os nomes “The Phlorescent Leech and Eddie” em nosso primeiro álbum solo com a Warner Brothers.  (Continua)


Wednesday, July 27, 2016

George Carlin


"Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos com imprudência, rimos muito pouco
, dirigimos muito rápido, ficamos muito bravos, ficamos acordados até muito tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, vemos TV demais. Multiplicamos nossas posses mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita frequência. Aprendemos a ganhar a vida mas não uma vida. Acrescentamos anos à vida, não vida aos anos."

FLICTS - Turnê europeia 2015


25 de junho (Quinta-feira)

Durante o voo para a Alemanha, assisti a um filme chamado “American Hustler”, com Christian Bale, Bradley Cooper (o bonitão de “Se Beber Não Case”) e uma ponta de Robert De Niro, além de episódios de “Big Bang Theory” e “Two And a Half Men”.  Sentei-me entre um carioca, pela esquerda, e na direita fiquei espremido por um gordão polonês que ficou nervoso e calado toda a viagem – que durou onze horas - e só abriu a boca quando o avião pousou. Chegamos ao aeroporto de Frankfurt e fomos recebidos pelo excêntrico, porém engraçado motorista da van Tomshek, que nos conduzirá durante todo o nosso giro através de várias cidades da Alemanha e França.

26 de junho (1º dia, sexta-feira) – Kopernikus – Hannover

1:57: Fim de festa; descarregando equipamento, e o ambiente ressoava com som confuso, uma mistura de som pop com EBM (ou era minha cabeça que ainda estava zunindo pela barulheira de minutos atrás).

27 de junho (2º dia, sábado) – Private Party – Rosswein

Chegamos à bela cidade de Rosswein, para uma “festa particular” de aniversário do chef local chamado Homme. Antes teve uma peça de teatro com muito humor, e mesmo não eu entendendo alemão, ri muito, já que até os atores mal conseguiam segurar as gargalhadas enquanto liam suas falas. Ao final, o aniversariante ganhou uma bicicleta e deu algumas voltas ao redor da sala. Puta casarão com palco pequeno, um lindo bar com recepção e jardim para churrasco em um coreto, onde puseram uma enorme mesa para comer e beber. O show do Flicts teve ótima recepção, e tocaram músicas de seus álbuns e do novo EP, ‘Sonhos Corrrompidos’, “Vida Fluída”, minha predileta, além da excelente cover “Alienação Homem”, do Psykóze. Saímos do show e rumamos pra casa do ex-batera do RASTA KNAST, Balo. Tomamos banho, almoçamos e batemos papo até as 15h, quando o “motora” Tomshek trouxe a van e rumamos até o show seguinte. Como sempre, paisagens lindas de florestas ao longo da autobahn. Espero que a gente não demore a parar porque só temos pão e nada de água. Sede da porra!

28 de junho (3º dia, domingo) – Juz Riot - Lichtenstein

Flicts toca daqui a pouco em uma linda e pequena cidade, um puta lugar legal, jardim e árvores pra todo lado, parece uma cidade de sonhos. O show no Juz “Riot” foi um dos melhores, ótimo palco e som. Pelo que presenciei, todo mundo curtiu, cantou e pulou, inclusive eu. As lindas filhas do organizador, Tina e Connie, adoraram nossa presença e contribuíram com suas danças. “JZ” significa Jugendzentrum (Centro da Juventude). A bateria da câmera pifou.

29 de junho (4
º. dia, segunda-feira). 

Mais ou menos onze e meia da manhã, estamos na estrada, indo para Berlim, onde a banda fará seu próximo show, no Köpi. Devemos nos encontrar com “Blank” Frank e Ramses, do centro da juventude “Riot”. 
12h30, paramos em um posto de gasolina, a uns noventa minutos de Berlim.

30 de junho (5º. dia, terça-feira) KöPi – Berlin

11h16 - Ontem foi dia de folga e ficamos hospedados na casa da Marina, amiga de Tomshek. Ela mora com uma inglesa chamada Lili (que mora há três anos na Alemanha, e fala como uma metralhadora). Marina tem uma boa coleção de LPs, que vai de Amebix, Suicidal Tendencies, Bolt Thrower – ao chegarmos, ela ouvia “For Victory” no computador - Elvis, Girlschool, Stevie Wonder etc. Logo saímos para beber, fomos até um parque público com umas garrafas de cerveja, depois passamos pela rua onde existe o último pedaço do Muro de Berlim; visitamos a famosa Berlin Alexander Platz e o Portão de Brandenburgo; andamos pela parte oriental. Mais de noite fomos a um restaurante árabe e comemos falafel – eu nunca tinha comido, mas fiquei bastante satisfeito. Rafael terminou bem rápido e ainda disse que queria pizza! Ficamos tão estupefatos com isso que virou piada. Eram 21h15 e ainda fazia sol.

01 de julho – (6º. dia, quarta-feira -) – Substanz – Osnabrück

11h23 - Já nos levantamos e dentro de alguns minutos caímos na estrada. A viagem deve durar de 5 a 6 horas até Osnabrück. 
15h00 – Depois de viajar umas três horas, fugindo do tráfego da cidade de Berlim. Wüstersforst a 500 milhas.
16h58 – Parada a 2km de Dortmund. Pouca coisa aconteceu na van, com todos cansados demais para brincadeiras (sabe, aquelas piadas: "Doce ou salgado? Vinho ou champanhe? Punk77 ou UK82? Muito sexo ou muito dinheiro? Homem ou mulher?"). Na parada, fomos ao banheiro de uma loja de conveniências, cujo uso custa 70 centavos de euro.
18h40 – Chegamos a Osnabrück. Muito sol! O show começou as 22h30 – e já tinha fãs inquietos. Parece que aqui os punks não curtem muito pogar. Eu comecei a pogar nas primeias músicas mas logo parei porque estava me sentindo ridículo. Ao final, todos aplaudiram muito.

02 de julho (7º. dia, quinta-feira) Lobusch – Hamburgo

14h00 – Deixamos Osnabrück debaixo de muito sol. Foi uma longa noite, ficamos bebendo (novidade!), conversando e jogando pebolim (que existe em todos os lugares que passamos, e que eles chamam de “Kicker”.) Sou péssimo, perdi duas partidas para o motorista Tomshek, que ficou tripudiando. 
16h57 – Estamos entrando em Hamburgo. No caminho, demos carona a uma garota que esteve no show anterior. Hamburgo é talvez a segunda maior cidade da Alemanha, com diversos pontos turísticos, mas tem bastante verde. Antes de montarmos o palco do Lobusch, comemos churrasco no jardim que fica nos fundos. Depois nos instalamos no 5º e último andar do prédio, no apartamento de Tomshek. Subimos pela clarabóia e andamos pelo terraço, com uma visão ampla da cidade, onde a banda tirou algumas fotos. A banda de abertura, WIRRSAL, faz um som HC-crust bem característico europeu. O local é pequeno e NÃO TEM VENTILAÇÃO. Imagine a sensação de forno dali. A apresentação do FLICTS nesse lugar foi uma das melhores da turnê, com ótima recepção do público, o som estava ótimo, e tocaram  faxas de Canções de Batalha (“Juventude”, “Paulicéia”,”Briga de Bar”, “Amigos” etc. Singelos Confrontos – “E o Povo, Onde Está?”, “Latinoamérica”, além de “Vida Fluída”, do novo disco. A coisa boa é que o show acabou antes da meia-noite. Todo mundo ficou conversando e bebendo, alguns foram até à rua em frente e outros ficaram no jardim dos fundos, onde à tarde houve um churrasco. A seguir, tocamos em Bonn. Deixamos a cidade por volta de 13h05.
17h15 – Paramos num posto de gasolina onde havia um “MacMurder”, porque Rafael queria mijar, mas como não tinha moedas, resolveu mijar num mato ali perto, o vândalo! Por volta de 18h15, enfrentamos tráfego pesado quando passávamos pelo estádio do Verden Bremen. Não deu pra ver muita coisa, apenas a estrutura metálica superior, um enorme arco que deve sustentar a iluminação.

03 de julho – (8º. dia, sexta-feira) Kult 41 – Bonn

O show foi bem animado; aconteceu no Kult 41, de Bonn, antiga capital alemã, antes da separação do Muro. Quem compareceu foram as amigas brasileiras Fabíola e Fernanda, que estavam na cidade a trabalho. A banda local PROFIT+MURDER abriu a noite com um som crust punk, liderada pelo vocalista Patrick, acompanhado do vampiresco e esquelético guitarrista Kasi. Ele lembra uma mistura de Brian Eno com  Klaus Kinsky, no filme “Nosferatu”. Os ouvidos do Rafael foram maltratados. O trio dos “anarcheese” Flicts atraiu o público quando tocou “Desmascarar”, manteve todos atentos durante “E o Povo, Onde Está?” e “Vida Fluída”,  até encerrar com “Amigos”.

4 de julho - (9º. dia, sábado) Plastic Bomb Party – Oberhausen

Fui dormir lá 
pela meia-noite, acordei as 8h30, e encontrei Kasi no jardim, já tomando cerveja e com a mesma roupa do show. Ele disse que não é membro original, mas está na banda há cinco anos. Terminei o café num banco do quintal lendo um conto de P. G. Wodehouse (“Mr Mulliner Speaking”). Ótima maneira de começar o dia.

5 de julho – (10º dia, domingo) AZ – Verden

Partimos p­ara Verden mais ou menos às 11h30, numa viagem de umas três horas. Choveu forte durante a madrugada, e continuou durante o dia. Raios e trovões! Chegamos por volta de três da tarde, descarregamos o equipamento, a banda fez “soundcheck” meia hora depois e tocou as 17h, para uma plateia que é melhor esquecer – algumas garotas muito tímidas, uns jovens e duas crianças. Choveu muito, o que deve ter afastado a maioria.

6 de julho - (11º dia, segunda-feira)

Ficamos na casa de Ballo, ex-batera do RASTA KNAST e dono do selo Break The Silence. Dormimos todos lá, além do motora Tomshek. Basicamente fizemos o que se faz em dia de folga, ouvir música – Ballo tem de tudo, Lard, NoMeansNo, Bjork, Dead Kennedys, Mau Maus, Bolt Thrower, Totalitar etc – e mais tarde iremos até a casa do Martin, guitarrista do Rasta Knast, possivelmente para comer um churrasco.
15h3O – A casa do Martin tem um jardim no fundo, com cerejeiras. Peguei direto do pé! Pedro, batera do Agrotóxico, chegou há uma hora e tomamos várias cocas com rum, cerveja e comemos churrasco vegano, depois frango na brasa. 
21h30 e AINDA TEM SOL se pondo.

7 de julho (12º dia, terça-feira)

Ainda em dia de folga, voltamos a Hamburgo onde o Flicts fará um show extra em outro lugar. Estamos de volta à casa de Tomshek, ao lado do Lobtsch, local do outro show. Pedro, Martin e Don talvez nos encontrem em Bochum. 
São 18h10 (13h10 no Brasil). Passamos as últimas horas num pub totalmente vazio, pondo fichas em uma jukebox: ouvimos de Elvis a New Model Army, passando por vários estilos, pop, funk e disco. Choveu muito nessa noite, e antes de ir para casa (apê do Tomshek), passamos pela Reeperbahn, a zona dos bordéis e puteiros. Típica cena de cinema europeu: esfalto molhado pós-chuva e mulheres semi-nuas nas vitrines e carros passando lentamente com os vidros baixados.

8 de julho (13º dia, quarta-feira)

16h08 – Hoje, dia do show (que foi confirmado), fomos ao estádio do St. Pauli. Jeferson e Arthur compraram camisetas e brindes. A grana está acabando e a banda precisa “fazer” dinheiro nos próximos shows.
20h00 – Chegamos ao local da apresentação, um enorme labirinto de trailers em um terreno com jardim, vários ambientes, um bar ao ar livre, e o próprio local se chama “Eldorado”, pequeno mas aconchegante. A banda começou a tocar às 20h45 e ainda chovia muito no começo, depois parou. Foi mais uma noite animada, e ainda encontramos Alex, da loja True Rebel, além de um colombiano que já esteve no Brasil (também chamado Alex), e um monte de punks que havíamos encontrado no pub perto da casa de Tomshek. Boa noite.

9 de julho (14º dia, quinta-feira) The Clearing Barrel – Kaiserslautern

Depois de dormir pela última vez no apê de Tomshek – que fica no 5º andar, sem elevador – saímos de Hamburgo perto de dez da manhã, com destino a Kaiserslautern. Faz sol mas venta muito.
16h54 – Chegamos a Kaiserslautern, uma bela cidade, onde muitas casas e empresas usam energia solar. Inclusive eu conversei com um punk inglês de Liverpool no pub de Hamburgo (dei-lhe um boné do Flicts), que depois foi ao Eldorado. Ele me disse que é engenheiro e lida com energia solar. O local de show se chama The Clearing Barrel e é uma pequena casa que serve café, cerveja e refeições veganas. Foi aberto em 2012 no centro da cidade, em meio a uma base militar Americana, e ainda serve de abrigo alternativo para aconselhamento de soldados veteranos de guerra e suas famílias sobre seus direitos e engajamento político anti-militarismo. Foi nesse lugar que lembro de ter tomado o melhor café da manhã de toda a turnê.

10 de julho (15º dia, sexta-feira) – Antinational Fest – Fresse Sur Moselle - França

13h30 – Deixamos Kaiserslautern com céu azul, depois de uma noite agradável. O show da noite anterior começou  às 20h30, mais ou menos, púlico tímido no começo. Alguns adolescentes preferiram ficar sentados num sofá com a cabeça baixa olhando seus celulares. Duas meninas começaram a dançar, eu me juntei a elas, e uma terceira entrou também. O set foi enxuto, abrindo com “Desmascarar”, e terminou com “Canção de Batalha” e a cover “Ring Of Fire”, de Johnny Cash. Agora rumamos para a França, país até então desconhecido para mim.
14h14 – Entramos na França! Que lindo rodar pela estrada toda arborizada, ouvindo uma espécie de jazz francês, cantado por uma voz feminina, sob o sol de uma tarde preguiçosa de sexta-feira. Chegamos por volta de 18h30 ao local do show, um enorme acampamento nas montanhas, com várias tendas, um banheiro comunitário feito de uma casinha de madeira sem porta, apenas um pedaço de cartolina pendurado por um barbante e com os dizeres “ocupado” de um lado e “livre” no verso (único momento desconfortável). Serviram um delicioso rango vegano feito na hora, mas a cerveja era muito ruim. Antes fomos dar um passeio pelas redondezas, depois de deixar nossos pertences na van e descarregar os instrumentos. Descemos a estrada a pé, cruzamos uma pequena ponte sobre um riacho de águas claras que continha peixes. A cidade possui várias casas seculares e uma bela ingreja à beira da estrada. Antes do show fiquei meio apreensivo com a reação do público porque era um festival mais voltado para bandas “crust”, e o Flicts era a única banda de punk tradicional. Depois de assistir a bandas como WARFUCK (um duo à la TEST), VERBAL RAZORS, e SIMBIOSE, de  Portugal, achei que o público iria ignorar o trio paulista. Mas não, muita gente pulou, gritou e agitou bastante. Foi uma ótima noite.

11 de julho (16º dia, sábado)  Les Tanneries – Dijon – França

Saímos de lá meio-dia. Agora rumo a Dijon, para tocar com Simbiose e os italianos dos LOS FASTIDIOS.
15h20 – Chegada a Dijon debaixo de muito sol, céu azul. Cidade de aspecto de interior, ruas estreitas e muitas casas antigas. Espero que a gente possa experimentar algum vinho, que ainda não tomamos. Foi só cerveja.

12 de julho (17º dia, domingo)

12h53 – O show de ontem foi bom, com um grande palco e ótimo som. Tomshek sabia que o local havia mudado mas lhe deram o endereço do antigo local, por isso paramos diante de um portão trancado de um edifício meio em processo de demolição. Sorte nossa que havia um punk francês por perto e nos orientou até o novo local. Mas no caminho pegamos um trânsito lento porque os próprios organizadores faziam uma carreata até lá, acompanhados pela polícia local, até a nova casa que fica a uns cinco quarteirões de distância. Tudo deu certo. O Flicts começou a tocar lá pelas 23h00, (o sol se pôs às 21h45! Falo isso porque fui dar uma volta lá fora por causa do ambiente abafado e presenciei a claridade àquela hora), abrindo para o Simbiose e os Los Fastidios. Armei minha mesa de “merch” bem perto do palco e deu para ver todos dali mesmo. Houve um acordo com a ordem das bandas e os italianos devem ter acabado sua apresentação já entrando pela madrugada. Ao final ficamos conversando, puvindo som ambiente enquanto bebíamos (novidade!) e conhecemos uma brasileira chamada Júlia, que mora em Dijon. Ela curte mais o som crust do que punk rock. Logo depois fomos para o apartamento de Maxim, um dos organizadores do festival, tomamos banho e um café. Às 14h45, partimos para a estrada. Devemos parar no meio do caminho, pois será uma longa viagem.
15h45 – Paramos num posto de caminhões onde encontramos uam espécie de parque com mesas e bancos sob umas árvores e comemos nossa refeição composta de pão, queijo e mostarda, maçã e banana, e suco. Nós quatro bancamos os vândalos e fomos mijar no mato, já que não havia banheiro à vista, somente uns carros e vários caminhões de combustível à nossa volta. Uns vinte minutos depois, de volta à estrada.
19h00 – Chegamos a Le Mans e nos hospedamos em um  daqueles hotéis da rede F1. Arthur, Rafael e eu ficamos em um quarto e Jef fez companhia a Tomshek em outro. Como era cedo, fomos procurar um lugar para fazer um churrasco com as carnes que compramos e a grelha de Tomshek. Depois de rodar alguns quilômetros, achamos um parque público com quadra de tênis e havia um enorme estacionamento onde paramos e montamos a churrasqueira e os acompanhamentos. Em menos de um minuto avistamos um sujeito de uniforme preto vindo de longe em nossa direção e falando a um celular. À medida que ele se aproximava, a gente especulou se seria um policial ou segurança… e a grelha já produzia muito fumaça… Ele andava meio de lado e não olhava para a gente, e em um momento se virou de costas. Eu li “securité” no seu uniforme. Todos nós pensamos “Fudeu!” Mas ele desligou o celular e perguntou em francês: “Estão fazendo um churrasquinho?” O professor Rafael respondeu “C’est possible, no?” (eu me segurei pra não rir na hora!). O segurança abriu um sorriso e respondeu algo do tipo “Podem fazer sua festinha sem problema!” Já eram onze e meia da noite, o céu ainda estava claro. Dois tenistas jogavam numa quadra à distância, mas só se ouvia o som da bolinha rebatida pelas raquetes, serviço/devolução… Fizemos nossa refeição regada a vinho enquanto fazíamos piadas com um skinhead lesadaço que esteve no show da noite anterior. Ele disse a Tomshek “Também sou de Hamburgo! St Pauli! Skinhead!” Torcedor do Hamburgo, Tomshek rebateu “Foda-se St. Pauli e fodam-se os skinheads!”. Passamos o tempo todo fazendo variações dessa piada, dançando pateticamente e rindo até meia-noite.

13 de julho (18º dia, segunda-feira)

12h50 – Deixamos o hotel após a refeição com o resto das guloseimas que compramos no mercado de Dijon. Agora vamos direto para Brasparts. O tempo esfriou um pouco e o céu está cinzento.
16h22 – Estamos rodando pela Normandia, uma região da França com clima londrino, tempo fechado e neblina. Historicamente essas condições climáticas dificultaram a invasão alemã na 2ª Guerra Mundial e o exército teve que enviar paraquedistas devido à dificuldade de localização de pontos de entrada. Nessa altura, deixamos de falar inglês/alemão e começamos a usar os clichés do tipo “Messieur Rafael”, “Ça va, Arthur?” e “Trés bien, Jef”.
17h00 – Chegamos a Brasparts, mas ainda não achamos o local exato. Talvez no lugar de dormir (que fica a uns dez quilômetros) obtenhamos informações. Alguns minutos depois, chegamos ao enorme complexo do Vive Le Punk, com palco grande mas não maior do que o antigo. Tem uma cozinha e refeitório para todas as bandas, rango frio e quente, sobremesa e frutas. Muitos punks vieram acompanhados de seus cães, como foi na Alemanha. À noite assistimos às bandas do dia: RESTLESS, BLATO IDEA  e THE RESTARTS, e vendemos algumas camisetas e discos.

14 de julho  (19º dia, terça-feira) Vive Le Punk Festival – Brasparts – França

Acordamos às 12h30, depois de terminar a noite anterior bebendo cidra, e fomos passear pelos arredores. Primeiro fomos à uma feirinha em uma praça onde havia várias barracas vendendo objetos usados como louças, artigos de decoração, roupas, LPs e CDs (eu achei um CD do Judas Priest “British Steel”, e o 1º disco do Peter Gabriel!). Depois fomos à praia, sentamos em uma lanchonete à beira do OCEANO ATLÂNTICO! Apesar de estar frio, havia alguns banhistas nadando, e vi um casal onde o pai tentava com dificuldade pôr uma pipa no ar para seu casal de filhos.
Show: o Flicts subiu ao palco por volta de 20h30, depois das bandas Restless, Working Class Zeros, Beer Beer Orchestra. Dentre alguns punks, conversei com um chileno que disse que tocou no Necrosis, antes de eles irem ao Brasil (1988, show que deveria contar com a presença do alemão Kreator – o festival World’s Thrash). Ele abriu o maior sorriso quando eu disse que fui a esse festival na Zona Leste de SP. “Canção de Batalha” foi a última música da banda (que tocou, entre outras, a cover “Porra de Vida”, “Desmascarar”, “Vida Fluída”, “A Todo Anarquista” etc. Assistimos um pouco do show dos Los Fastidios (que ia varar a madrugada – de novo) e fomos dormir por volta de 1h30.

15 de julho  (20º dia, quarta-feira)

10h00 – Acordamos cedo (!) - isso parece diário de um “bon vivant” - e fomos visitar o castelo de St. Michel, no meio de um descampado, à beira de um lago com enorme extensão de areia. Estacionamos a uns cinco quilômetros e pegamos um ônibus circular gratis para turistas (havia muitos asiáticos, americanos, ingleses e locais). O castelo mede 80 metros de altura e para chegar até o ponto mais alto, teríamos que aguardar uma enorme fila indiana que não andava. Então preferimos ir até a metade de onde observamos o horizonte por um ângulo de 45º. 
16h20 e ainda não comemos nada, mas logo encontraremos um lugar para comer os pães e queijos/frios, mais o suco e vinho que compramos em um supermercado. Quarenta minutos depois, paramos num posto para comer. Meia hora depois, voltamos à estrada. 
19h00 – Cruzamos o rio Sena.

16 de julho  (21º dia, quinta-feira) – Wageni – Bochum – Alemanha

Ontem à noite ficamos num hotel F1 da França. Antes de dormir, montamos uma mesa de “jantar” sobre um bloco de cimento a algumas quadras do hotel e nos servimos de vinho e lanche com presunto, queijo e geléia de framboesa. Tomshek contou histórias de suas brigas com a polícia alemã e um bando de neo-nazistas, e o resto de nós fez variações da piada do skinhead de Hamburgo.
12h20 – Voltamos à estrada, passamos por Lille, depois cruzamos a Bélgica, Holanda e chegamos à Alemanha, onde faremos os últimos três shows.
13h30 – Entramos na Bélgica. Às 15h05 paramos num mercadinho da Antuérpia para mijar e aproveitamos para tomar um sorvete (quando entrei no banheio, o som ambiente tocava “Summer Night City”, do ABBA!). 
15h47 – entramos na Holanda. Mais ou menos uma hora, depois de passarmos por Eindhoven e outras cidades holandesas, entramos na Alemanha.
Bochum – O show agradou a todos, apesar de o público não agitar – como a maioria dos alemães. O local é pequeno mas os arredores são arborizados. A banda, como quase sempre, abriu com “Desmascarar”, tocou ainda “Em Nossos Corações”, “Vida Fluída” etc, e finalizou com “Festa de Santo Reis” (Tim Maia) e “Ring Of Fire” (Johnny Cash), versões incendiárias. O local possui um enorme jardim para convivência, mesa de bilhar e contou com a presença de vários cães. Fim de noite, ou começo da manhã de sexta-feira. Fomos a pé para o alojamento, um belo casarão com vários cômodos, uma sala de estar, onde uma galera ouvia música até de madrugada. Ficamos numa espécie de varanda tomando cerveja e conversando. Quando fomos dormir, alguém deixou o computador ligado (de onde vinha a música) e eu ouvi “Heroes”, de David Bowie. Era um show da BBC (2000), que postaram no Youtube. Em seguida estava começando “Absolute Beginners”. Sinto muito, Thin White Duke mas, boa noite.

17 de julho (22º dia, sexta-feira) – Sonic Ballroom – Köln – Alemanha

Pela manhã fomos à casa de Benny, um amigo da banda que já esteve no Brasil. Ele já tocou guitarra em uma banda punk, e se tornou em presário de artistas de rap. Sua casa é enorme, com um jardim repleto de macieiras e cerejeiras. 

Às 18h25, chegamos ao Sonic Ballroom, onde montamos nosso equipamento e depois da banda de abertura, Kontrollpunkt (meio metal-punk), o Flicts fez uma das melhores apresentações, e a plateia reagiu muito bem. Teve até muito pogo com certa agressividade, mas sem briga. Quem queria brigar foi o “motora”, que se desentendeu com três caras que usavam adereços nazistas, e a briga teve que ser apartada por várias pessoas, inclusive uma das donas do Ballroom e Mary, a produtora da turnê. Fora esse incidente, fomos todos dormir em um quarto do 1º andar, atrás do bar, camas individuais para todos da banda e com direito a chuveiro e banheira. Acordamos por volta de meio-dia, tomamos banho e café. Outro velho amigo da banda, Waskow, um português criado na Alemanha, e que já esteve no Brasil, estava conosco.

18 de julho, 13h50  (23º dia, sábado) – Kakadu – Limburg- Alemanha

Deixamos Köln rumo a Limburg, local do último show, mas antes passamos em Bonn, na casa de Dominic, junto com Mary, para comer um churrasco. Saímos de lá por volta de 16h e chegamos ao local do show a menos de uma hora. Limburg também é uma bela cidade, bastante arborizada. Conversei com várias pessoas legais, uma alemã chamada Otti, que tem uma amiga brasileira de São Paulo. Ela foi ao Brasil, mas ficou em Mogi Mirim, onde sua amiga tem uma casa. Conversei com um alemão que faz serviço de Terapia Ocupacional com alcóolatras, mas também é artista e trabalha com grafitagem e faz murais. Pudny, o “papa” do local, construiu todo o complexo há trinta anos. Ele me disse que eu ia gostar demais de estar ali depois do show. Motivo: ele me ofereceu haxixe. Após o show, que teve a abertura de uma banda crust com dois vocais e um batera que é cego, conversei com Talita, uma brasileira que mora em Limburg desde pequena. Ela é de Fortaleza.

19 de julho (24º dia, domingo)

Ontem dormimos em um alojamento muito legal, que fica no meio de uma floresta, uma casa de madeira bastante antiga, com um monte de pertences diversos, um piano todo empoeirado onde todos arriscaram tocar umas músicas. Tomshek, o “motora”, tocou o hino da Alemanha, Arthur arriscou “Raining Blood”, e Jeferson tocou alguma coisa do Anthrax. O tonto aqui lembrou de “Monolight”, Tangerine Dream (a versão ao vivo).

São 15h10 e nos preparamos para partir para o aeroporto de Frankfurt. Hora de dizer adeus a uma aventura extraordinária para mim. Não tenho mais como agradecer Tomshek, um cara de aspecto maluco (e é mesmo!), mMas com um coração enorme e muito engraçado. Fuma o tempo todo, como a maioria dos alemães, bebe com responsabilidade, sempre depois de dirigir, adora “schnaps” e café puro, é louco por mostarda e fica fazendo piadas escatológicas o tempo todo. Quanto a todos os amigos da banda, Martin (Rasta Knast), Ballo, Dominic, Mary, Jean, Maxim (devo ter esquecido de mais gente!), tudo gente fina.
Muitíssimo obrigado aos irmãos Covre (Arthur e Rafael), e especialmente Jeferson, que tornou possível essa  minha experiên cia. Para você, Jefpunk! Merci! Danke!

(FLICTS: Arthur – guitarra/vocais; Rafael – bateria/vocais de apoio; Jeferson – baixo/vocais de apoio)