Wednesday, July 27, 2016

GODFLESH E O HORROR DO DIA-A-DIA




Como muitas crianças dos anos 60, Justin Broadrick foi marcado pelo sangue artístico de “O Massacre da Serra Elétrica”, um filme de terror uma vez discutido em tons tão abafados que você acha que o diabo estava na versão do diretor. Ele não era um adolescente hormonal quando deparou com uma cópia do clássico cult, no entanto; ele tinha 10 anos de idade.
"Minha mãe e meu padrasto eram viciados em drogas, então eu era exposto a muita depravação em uma idade tenra", o vocalista do Godflesh explica por telefone, de sua casa litorânea na remota cidade de Abergele, no norte do País de Gales. "Uma vez eles foram para a casa dum cara esquisito - a maior parte dela era pintada de preto - e me deixaram sentado diante da TV pelo resto da noite. Enquanto isso, esse cara estava fumando um bong e assistindo O Massacre da Serra Elétrica. Esse filme teve um efeito extremo sobre mim. Não é à toa que aquilo me levou a curtir a banda Throbbing Gristle."

Para não mencionar os verdadeiros romances policiais, "fitas de vídeo de sacanagens” de enésima geração, peças de teatro de amoralidade do Marquês de Sade, e músicas ruidosas masoquistas como Whitehouse; qualquer coisa que você esconde de seu professor e acumula com os seus amigos, para os quais Broadrick gravitava. Se isso parece um sinal de uma infância perdida, você está no caminho errado. O garoto que não podia desviar o olhar de Leatherface - agora com 45 anos e um dos ícones do heavy metal mais simpáticos que você já encontrou - não se transformou em um adolescente profundamente perturbado.  Ele era apenas apaixonado pelos extremos, deixando cair algumas pastilhas de ácido em sua língua enquanto a “Lady in the Radiator” cantava "In Heaven" sobrepondo-se ao terreno baldio industrial de Eraserhead ou um padre encarando uma sentença de morte relacionada com bruxaria em The Devils.


Dessa forma, Broadrick é muito parecido com sua mãe, uma caçadora de emoções que se voltou para a religião "no final de uma viagem alucinógena" durante seus anos de adolescência, mas em última análise, sentiu "um tédio desgraçado" pelos fanáticos religiosos ao seu redor. Um deles era o padrasto de Broadrick, um "cara legal" que lhe ensinou a tocar guitarra, mas ficou tão comovido para o espiritismo que se tornou um ancião das Testemunhas de Jeová. Nenhum deles aprovaria os álbuns de death metal e filmes proibidos para menores de Ken Russell com os quais o jovem Broadrick se satisfazia regularmente.

"Estávamos todos a fim de nos afundar em viagens psicodélicas mortais", diz Broadrick das sessões de fim de noite que ele fazia muitas vezes com alguns amigos mais íntimos, incluindo o futuro companheiro de banda no Godflesh, o baixista G. C. Green. “Sabe-se diabos porquê; nós apenas parecíamos nos excitar com aquilo."

Um dos motivos deve ter sido a educação de Broadrick nas propriedades culturalmente estéreis de Birmingham. Embora a cidade estivesse próxima de Londres em tamanho durante os anos 70 e 80, ela era muito mais sombria, uma rede claustrofóbica de ruas abarrotadas, edifícios cinzentos e poluição desenfreada. Com poucas opções para um desabafo positivo além de gritar em partidas de futebol ou iniciar brigas encharcado de cerveja no pub local, Broadrick voltou-se para o mesmo escape que os heróis do metal Black Sabbath e Judas Priest: música, quanto mais pesada, melhor. Isso o tornou a exceção, não a regra; as primeiras bandas de Broadrick (o projeto Fall of Because, de Green, que alguns diriam que é uma primitiva encarnação do Napalm Death) parecia que eles estavam lutando ferozmente contra os operários ao seu redor.

"Você seria espancado por ser um punk, sabe?", diz Broadrick, um orgulhoso fã de Discharge e Crass quando seus pares estavam mais preocupados em conseguir um emprego em fábricas. "Você seria coberto de porrada na rua. "


Broadrick também foi sacudido pela ignorância voluntária que testemunhava diariamente, da incapacidade dos seus colegas de classe em reconhecer a "porcaria química" no ar à difusa mentalidade de cidade pequena que transformou famílias de operários em prisioneiros da classe baixa por toda a vida.

"Nós desprezávamos o fato de que as pessoas aceitavam a sua sorte na vida sem expectativas pré-concebidas desafiadoras", explica Green, que notou Broadrick na rua algumas vezes antes de falar com ele sobre seus mais valiosos LPs de punk. (Broadrick demorou cerca de dez minutos para vender a Green um disco pirata dos Stranglers.). "Não podíamos aceitar que era a nossa sina ficar vivendo no gueto em que fomos criados, trabalhando em uma fábrica até o dia em que morrêssemos. Esse sentimento sempre influenciou a música que tocávamos, mesmo nas bandas que tivemos antes do Godflesh".

Isso também levou Broadrick a largar a escola aos 15 anos — bem no meio de um exame, imagine só — sem jamais olhar para trás. Ele queria aprender; simplesmente não conseguia fazê-lo ali, em um lugar onde se sentia como um esquisitão incompreendido. A mudança para a cidade vizinha, de aparência artística de Moseley estava de acordo, como as primeiras gravações do Godflesh e, por fim, um pequeno álbum chamado Streetcleaner. http://youtu.be/naj0hmlDM6s

O ESQUADRÃO ANTI-BOMBAS

Kevin Martin sabia que ele era um fã do Godflesh antes mesmo de ter ouvido sua música. Bastou ver o adesivo em uma cópia de seu álbum de estreia em 1988, que dizia: “Slayer + Swans, por ex-membros do Head of David/Napalm Death”. Atraído por faixas seminais como "Avalanche Master Song" e "Spinebender", ele decidiu dar um telefonema à dupla - o número deles estava no encarte do EP - e oferecer-lhes um show no Mule Club, um pequeno clube de Brixton no salão de fundo de um pub que ficava bem atrás de uma delegacia de polícia. Mal sabia ele que aquilo iria acabar sendo o primeiro show do Godflesh, uma apresentação íntima realizada diante de apenas 30 pessoas.

"Eles destruíram o clube acarpetado em estilo peso-pesado", diz Martin, que liderava o experimental GOD (http://youtu.be/s_cwimuil7U) naquela época. "Godflesh foi uma absoluta revelação para mim. Trouxeram a música de volta a um ataque primitivo - uma máquina de matar maliciosamente minimalista, gingando pra caralho, e agitando como louca sob efeito do mais potente dos narcóticos. Eles eram especialistas em viagens verdadeiramente alucinantes."
Ele continua: "Isso era puro metal, sem os solos doidos e vocais de desenhos animados. Era pavor até o talo, físico ao máximo e incansavelmente hipnótico."

Broadrick simplesmente via o Godflesh como um mecanismo de defesa — uma redução em estado de mutação de música extrema que não respeita os mais velhos. Ele reescreve suas regras, abusando da guitarra, em vez de adorá-la, e trocando um baterista humano por uma bateria eletrônica impiedosa.

"O heavy metal sempre nasce do riff”, ele explica. "Isso sugere um cara todo rasgado que segura sua guitarra como uma porra de uma espada, matando meros mortais, pilhando aldeias e estuprando as mulheres. Para mim, isso nunca significou machismo, nunca uma expressão do ego masculino. Absolutamente o contrário. Sentimo-nos como indivíduos fracos, esmagados, que não são violentos. Somos muito pacíficos, muito amigáveis, sensíveis. Nunca andaríamos com gangues de machos, entende o que quero dizer?” http://wp-images.emusic.com/assets/2014/10/justin-broadrick-3-ws-710.jpg

Ouvindo os dois falarem sobre os primeiros dias do Godflesh, é fácil ver como Martin "sacou" bem antes de qualquer outra pessoa na Inglaterra. Embora Broadrick só tenha tocado no lado 1 do álbum Scum do Napalm Death (http://youtu.be/Rlbf0Whz5dc), sua breve ligação com a lendária banda grindcore deixou a maioria dos fãs esperando os mesmos ritmos alucinantes e grindcore caótico do Godflesh. Não adiantou que uma das primeiras turnês do Godflesh no Reino Unido foi abrindo para o Napalm Death.

"As plateias ficavam literalmente nos ofendendo", diz Broadrick, “e tentando pular no palco. Eles estavam lá por uma banda de thrash hiper-veloz e lá estávamos nós — uma das bandas mais lentas do mundo, com uma porra de bateria eletrônica. As únicas pessoas que usavam bateria eletrônica na época eram as bandas pop dos anos 80 ou artistas de hip-hop".

Ironicamente, Martin e Broadrick iriam lidar com formas semelhantes de escárnio e hostilidade durante a década seguinte quando eles apoiaram um projeto paralelo de hip-hop pesado chamado Techno Animal.

"O Techno Animal parou na hora certa, já que ninguém realmente dava a mínima", explica Martin. "Nós quase não tínhamos um público; éramos muito barulhentos para a tribo do hip-hop, e muito hip-hop para os fãs de barulho”. 

Tão necessário quanto foi o fim do Techno Animal (http://youtu.be/zBMLEfDzFWo), Martin se sentiu ansioso e frustrado quando produziu seus primeiros discos solo como o Bug, e nunca parou de pensar sobre quão bem a dupla trabalhara junto nas décadas desde o primeiro show do Godflesh. (Broadrick também produziu várias sessões do GOD e se juntou à banda no final).

"Até hoje, eu sinto falta de trabalhar com Justin em estúdio", diz Martin. "Ele vive, respira e anseia por música tanto quanto eu, e é o único músico/produtor que eu conheci que trabalha nas mesmas frequências, que precisa fazer música tanto quanto eu... Ele é meu irmão de alma no melhor sentido, uma pessoa tão positiva quanto se poderia desejar conhecer.  O que é irônico, considerando o quão sombrio as pessoas podem pensar que ele é, pelo som do Godflesh. "O primeiro álbum do Jesu nasceu a partir do final de tudo o que eu sabia naquele momento... tão genuíno quanto possível em termos do que eu estava passando, que era literalmente mágoa."

GESTO DE EQUILÍBRIO

Aaron Turner odiou o Godflesh a primeira vez que ele ouviu. O ex-vocalista do ISIS pegou um vídeo da época de Streetcleaner e "aquilo honestamente me assustou", diz ele. "Eu pensei, 'Que porra é essa?' Aquilo nem sequer soava como música para mim.  Tipo, a primeira vez que eu vi Melvins, não gostei deles, mas deixaram uma impressão em mim que eu ainda posso me lembrar hoje."

Turner passou todo o tempo de colégio para largar sua banda predileta, Metallica, e voltar-se ao lado mais experimental da música extrema, começando com Neurosis e rapidamente expandindo para coisas mais arrastadas e feias como Swans, Melvins e Godflesh. O álbum menos conhecido do Godflesh, Selfless (1994), deixou uma grande marca no estilo de compôr de Turner, e dá para ouvir as melodias fluidas e ritmos modernos dos primeiros trabalhos do Godflesh refletidos por toda a produção do ISIS, começando com a cover de “Streetcleaner” que eles fizeram em um “split” com o Pig Destroyer, em 2000.
Um ano mais tarde, ISIS precisou completar um EP com mais uma canção. Como seus chefes de selo Neurosis já estavam em contato com Broadrick sobre um potencial LP de seu projeto ambient Final, perguntaram se ele gostaria de fazer um “remix”. Foi aí que surgiu a faixa de 10 minutos “Celestial (Signal Fills the Void).”
Aqui é que a coisa fica um pouco mais complicada: embora outros comparsas tenham participado do Godflesh nos anos de 1990 — incluindo membros do Loop (o guitarrista Robert Hampson), Swans (o baterista Ted Parsons) e Primus (outro baterista - Bryan “Brain” Mantia) — o grupo permaneceu a dupla de sempre, Broadrick e Green. Isto é, até 2001, quando Green sentiu que tinha chegado a um impasse e precisava se afastar da música por completo. O baixista do Killing Joke (https://www.youtube.com/watch?v=FJadioeoC0I), Paul Raven, foi um substituto à altura mas a química que alimentava a música mais influente do Godflesh não era tanto explosiva quanto antes.

“Acho que sempre existiu um equilíbrio do tipo yin/yang no Godflesh,” diz Martin. “Eu definitivamente não conseguia imaginar Justin trabalhando sem Benny (Green), e na verdade, sempre que tentavam trabalhar com outros músicos, eu achava que a melhor formação era a mais simples — Justin, Benny e uma máquina [a bateria eletrônica].”

Por mais que ele amasse manipular o som característico do Godflesh e trazer músicos de fora que admirava de verdade, a pressão começou a aumentar depois de lançarem ‘Hymns’ (https://youtu.be/1yCQhX4ks4k)— um dos poucos álbuns do Godflesh feito em um estúdio apropriado — e Broadrick essencialmente sofreu um colapso nervoso (“Um verdadeiro momento Brian Wilson,” ele disse à MTV) prestes a iniciar uma turnê com a abertura das bandas High on Fire e ISIS. Incapaz de lidar com o stress e o fim de um relacionamento de 13 anos, Broadrick acabou o Godflesh em 2002, desencadeando uma onda de ameaças de morte, porres homéricos e acúmulo de dívidas nesse processo.

“Foi um choque total que surgiu do nada,” diz Parsons, que tocou bateria em Hymns e estava pronto para sair em turnê ao lado de seu companheiro na banda PRONG. “Raven e eu ficamos ambos decepcionados, é claro. No fim das contas eu perdoei Justin e nós ainda somos amigos. Ele não estava mais envolvido emocionalmente. Como é que eu poderia ficar bravo como ele?”
“Aquele foi um período muito negro para Justin”, acrescenta Green. “Não apenas com o fim do Godflesh: teve outros assuntos emocionais também que foram dolorosos para ele. E é claro que me preocupei com ele.”
Ele continua, “Isso soa desagradável, mas eu passava por mudanças bastante significativas na minha vida que precisavam de toda a minha atenção. E também tinha que me sustentar agora que não tinha uma fonte de renda. Então nosso contato ficou reduzido a nada rapidamente. Por mais íntimos que tenhamos nos tornado ao longo dos anos, eu não podia ajudá-lo naquele período difícil; ele tinha que trilhar o próprio caminho e viver uma vida nova, e foi o que ele fez.”

Esse caminho foi aberto um ano depois, quando Broadrick voltou ao centro das atenções com uma nova banda chamada JESU. Parsons foi o primeiro que ele consultou a respeito, assim como Turner, que acabou contratando Broadrick para seu selo Hydra Head, para o que estava sendo considerado uma linda mas refratária transição das músicas estilo “terra arrasada” do Godflesh.

“O primeiro álbum do Jesu nasceu do fim de tudo que eu conhecia àquela altura,” explica Broadrick. “Era bastante brutal mesmo - quase tão genuíno quanto possível em termos do que eu estava passando, que era literalmente uma desilusão. [‘heartache’, título de uma música da nova banda Jesu - http://youtu.be/SQzDY4shPWo].”  Musicalmente falando, Parsons diz que Broadrick insistia que o Jesu “jamais seria uma única coisa. Ele teria elementos do Godflesh, alguns álbuns teriam percussões eletrônicas, alguns seriam mais “ambient”. Ele não queria se limitar. Quanto à percussão, eu tive a mesma abordagem que tinha no Godflesh, ou seja, eu descia a mão, tocava bem pesado.”

“A maior surpresa pra mim foi quando eu ouvi Jesu”, acrescenta Green, “porque há anos eu vivia tentando convencê-lo a fazer algo semelhante musicalmente - bastante melódico, porém melancólico. Algumas vezes nós tentamos, mas ele sempre voltava atrás dizendo que aquilo não combinava com ele. Aí, quando eu não estou por perto, é isso que ele faz! Um dia ainda vamos ter nossa banda pop!”

O HORROR DOS HORRORES

Se você dispuser de uns dias - pois isso vai levar dias - necessários para conhecer toda a discografia de Broadrick, logo irá perceber uma coisa: o homem não fica parado. Ele está em constante estado de fluxo, seja esculpindo novas formas com sua guitarra no [projeto] Final, abraçando o lado suave da música eletrônica do PALE SKETCHER ou revertendo aos exorcismos encardidos do Godflesh com JK Flesh ou Greymachine. Esses projetos em particular foram os primeiros sinais de que Broadrick não havia parado de pensar em sua banda preferida em nível criativo e pessoal. Como não podia deixar de ser, Godflesh anunciou seu primeiro show em mais de oito anos - uma aparição no Hellfest, na cidade francesa de Clisson - logo após o lançamento do álbum do Greymachine, Disconnected, um disco que parece um pesadelo psicótico. Dificuldades técnicas surgiram no caminho, como a data de encontro de Broadrick e Green, mas eles retomaram o pé quando foram convidados para tocar no Supersonic Festival, de Birmingham, como banda principal, ao lado da americana Swans, alguns meses depois. Broadrick admitiu que estava compondo músicas de novo com o Godflesh em mente, em uma entrevista para a revista Decibel, mas manteve os fãs em suspense sobre seu destino até os últimos meses. Foi quando seus planos para um EP (Decline & Fall) e álbum (A World Lit Only By Fire) se materializaram logo depois que um giro bem sucedido pelos EUA revelou uma dupla que estava não apenas revigorada, mas sem dúvida voltando com força máxima. 

“Ironicamente, essa foi uma das turnês mais agradáveis que já fizemos”, diz  Broadrick. “Geralmente quando as bandas reformam após “x” anos, nove entre dez vezes elas estão apenas revivendo glórias passadas. Para nós foi exatamente o contrário. A gente pensou, ‘Isso é incrível. As plateias estão tão boas quanto sempre foram, se não melhores. Tive a sensação de estar voltando para minha própria casa.”
Considerando a falta de esperanças nas manchetes esses dias, a direção deliberadamente hedionda do novo material do Godflesh — um espelho dos horrores à nossa volta — é tão relevante quanto tinha sido sempre. Broadrick sabe;  por mais feliz que esteja vivendo à beira do mar, onde agora está criando um filho em um estábulo, um relacionamento afetivo, ele frequentemente se pega assombrado pelos noticiários realistas. ‘Sempre fui atraído pela dor e o horror, está me entendendo? Não estou nem remotamente indiferente; eu não consigo tirar meus olhos dessas coisas.’
Não no sentido de acidentes automobilísticos. Eu apenas sinto essas coisas. Minha parceira sempre diz, ‘É só você não olhar’, mas como é que posso me desligar disso? Tenho uma obrigação de sentir o que as pessoas estão passando, para ao menos saber o que esses miseráveis estão fazendo no dia-a-dia.”
“A música é uma válvula de escape para o modo que a humanidade nos faz sentir,” acrescenta Green. “Existem muitas coisas lindas e maravilhosas nesse mundo, mas a raça humana ainda é tão egoísta, ignorante, gananciosa e corrupta como sempre foi. As chamas da guerra, ódio e ignorância ainda ardem e arderão até todos nós virarmos cinzas.”

Isso explica porque ‘A World Lit Only By Fire’ (https://youtu.be/7OwOmTbNO2A) é um disco tão importante— tanto um renascimento quanto um bem vindo lembrete do que fez tantos ouvintes se apaixonarem pelo Godflesh em primeiro lugar.  E isso é sua brutal honestidade, como eles dizem o que outras bandas de metal apenas sugerem ao nos mostrar a zona que fizemos e a esfregam na nossa cara.

“Os jovens estão desiludidos?” pergunta Broadrick. “Eles sabem que todo mundo é um bando de mentirosos do caralho? Eles estão tão resignados com isso que não faz mais sentido. A gente simplesmente entrega os pontos? É claro que não haverá uma revolução. Quem tem energia para isso? Estamos muito ocupados com futilidades. Você pode observar bombas caindo dos céus e as pessoas ainda estarão grudadas a seus celulares, tuitando.”

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