RADIOFÔNICO PAPO DE DOIDO (OU “CRAZY RADIO CHAT” - RADIO SHACK?)
Drika (repórter): “Estamos aqui com o Presidente Half Nozibitch, para falar de vários assuntos, mas vamos, primeiro, falar de economia. O que o senhor pode nos dizer das recentes medidas adotadas pelos parlamentares do Congresso?”
Presidente: “Boa tarde (ou pode ser boa noite, sei lá). Primeiro, você não disse do que eu sou presidente. Posso muito bem ser o presidente da Shell, como também da Schenker ou da Sharp (não me refiro ao movimento S.H.A.R.P., dos punks skinheads, que são contra o preconceito racial). Até já possuí um rádio-gravador dessa marca, comprado com o dinheiro da minha rescisão. A combinação das teclas “play/rec” não permitiam controlar o volume, que ficava “flat”, o que me pôs em maus lençóis (você já vai entender!) quando eu gravava tarde da noite, e a mamãe berrava comigo lá do quarto dela para eu desligá-lo! (“DESLIGA ESSA GERINGONÇA! ISSO AQUI PARECE UM MANICÔMIO!”). Em um momento eu tentava abafar com os lençóis (não falei?), e depois com o travesseiro, porque não queria perder os últimos segundos da gravação de uma música da Girlschool, “Emergency”, que começa com uma sirene policial). E mamãe dizia "nein nein nein". Ela era alemã, você pode perguntar. "Nein", eu só quis brincar com a pronúncia do telefone policial 999, da supracitada cantiga. Estou fazendo uma digressão.
Agradeço por você já querer abordar primeiro a política, assim nós damos um pontapé bem dado no traseiro desse assunto chato! Kick-it-in-the-ass! Quem nesse país miserável (quase 90% da população está abaixo da linha da pobreza) quer saber de taxas Selic, “commodities” (comodidades? Qual nada - é falso cognato!), “debêntures”, BTS (“behind-the scenes”?), Bitcoins, etc. Economizar como? Não temos como fazer isso, senão nosso dinheiro ficaria num cofrinho e não teríamos o que comer. Tem gente tão pobre por aí que, se você lhes der uma moeda, elas vão querer comer (bit/e coin). E "tem gente tão pobre que só tem dinheiro". Foi um grafite que vi nu muro da Lapa. Você conhece a Lapa toda? (aff! Foi mal aí!)
Aliás, você pronunciou meu nome errado: se eu for escrever como falou, vai ficar algo como “Half Nozibitch” - mas estou fugindo do assunto, fugindo não estou (mas 'Tempus fugit').
Qual era mesmo a pergunta?
Drika: “Debêntures… Sua Senhoria comentava.”
Prez RNB: Então, mas antes de retomar o fio da meada, você tem uma bela voz, e não tome isso como assédio, mas a pronúncia! Além de não ter anunciado de quê eu sou presidente, o que não importa (para ela), o que importa é a economia (Será? Não para mim.), e depois vamos falar de temas mais interessantes, cinema, futebol, música; afinal, quem liga o rádio para ouvir falar de economia? Somente empresários e cientistas políticos. O povo quer é entretenimento: tem gente que se diverte ouvindo programas de fofocas, outras querem saber se seu time vai escapar do rebaixamento, outras ligam para ouvir (pela enésima vez ‘Sacrifice’, de Elton John - eu gosto de ‘Philadelphia Freedom’ - olha, outra aliteraçãozinha aí, gente!)
Mas você queria saber do que mesmo, Drika? Outra coisa: ‘Sua Senhoria’ é quando você fala da minha pessoa para terceiros; o certo é ‘Vossa Senhoria’, porque está se dirigindo diretamente a mim. Respect. Porra. Biatch!
Drika (Sem entender lhufas): “Retomando a pauta, as novas medidas adotadas pelo Governo Federal.”
PRNB: Você não precisa falar do governo federal (minúsculas mesmo), como se fosse a última bolacha (ou biscoito? Eu pergunto porque, parece que em outros estados eles preferem o “bis”) do pacote. Não perca o fio da meada - digo para meus botões.
A economia? Ah, ela que vá catar coquinho! Vai ver se estou na esquina! E pára (modo coloquial mesmo, senão seria “pare”, e não quero demonstrar muito respeito por ela - a economia. Dissin’ da Economy, yo! Retomando: e pára (verbo imperativo com acento - “para” sem acento é preposição), e pára de me encher as medidas! Cáspite! Que eu quero mesmo é falar de assuntos leves, amenidades, como dizem ("neat stuff"), as artes, música, cinema, futebol, pintura… se bem que não “mando” muito bem nos quadros: aprecio os traços do H. R. Giger, gente como Dali, Picasso, o perturbado Joe Coleman (será que era o pai adotivo de Gary Coleman, aquele garoto adulto que esqueceu de crescer? “What you talkin’ about, Willis?”)
Olha, meu gosto por artistas do bico de pena, do pincel, do lápis e do aerógrafo (levei anos para descobrir que a tal da aerografia era aquele termo em inglês “airbrush”, só quando me aprofundei nos estudos da língua de Shakespeare. Hold my beer! Antes do Bardo, não se falava inglês nesse mundo?!
Enfim, eu dizia que aprecio as artes de gente do tipo Angeli, Fernando Gonsales, Galleppini, Ziraldo - ele ilustrou algumas capas de P. G. Wodehouse - Al Jaffee, o extravagante, Paul Peter Porges (aliteração em seu nome!), esse até ilustrou o importante The New Yorker e a revista Mad - essa mais importante ainda para mim, Jack Davis e Paul Coker (Jr), só doidivanas.
Ah, William Turner mandou avisar lá do além-túmulo que ele foi um gênio do pincel, só porque aperfeiçoou a arte de pintar as nuvens e nunca mais olhou pra trás (ou para baixo). O inglês pegava um barquinho, velejava (“Você não disse barquinho?” Pois é.), digo, navegava até o alto-mar e ficava horas e horas deitado de barriga pra cima, observando as nuvens passarem. Itália. Gênova. E Torino. E a Inglaterra, seu país natal? Manda lembranças, sir!
Drika: “Se Vossa Senhoria puder dar seu parecer sobre a economia, podemos abordar outros assuntos, porque o tempo passa”. (tic-toc.. tempus-fugit)
Prez Bitch: “Eu quero apenas salientar que a senhorita (será que ela é solteira?), quando começa a frase ‘Vossa senhoria’, deve manter a concordância pronominal, dizendo ‘vosso parecer’, por obséquio.
E antes que eu me esqueça: a economia que vá morder o pai dela na parte onde não bate sol! Quero deixar o ambiente menos carregado, porque me empolguei com o Turner (seria ele um ancestral - porque era do século dezenove: ele veio a óbito (OMG, que frase infeliz!) em mil oitocentos e alguma coisa. Seria ele ancestral de Martin, outro inglês, esse também das artes, mas das quatro cordas, ou do americano Ted, magnata da mídia moderna (aliteração - parte 3)?
“E o tempo passa”, já dizia outro falecido, esse da narração futebolística. E por falar em narração, quem mandava bem era Vincent Price, que eu pensava ser inglês, mas ele nasceu no Missouri, no início do século vinte. Foi por causa de seus filmes de horror pela Hammer (que virou sinônimo de horror no cinema - estou repetitivo? - e olha a aliteração, “part four”!).
Bom, nosso VP - não vice-presidente - nosso Price (“Our Price” era um adesivo que eu costumava ver nos LPs importados (lembra deles, os LPs?). Acho que era uma loja de discos nos EUA; mas também me lembrou um trecho de uma música do LPD, ou Legendary Pink Dots, para quem não tem preguiça de escrever, grupo inglês - na verdade, holandês: só o vocalista é inglês, que foi morar na Holanda (“Our price, our choice, we rarely make the right one…”). Edward K-Spel, o nome do sujeito. Lindo demais. O trecho da letra, quero dizer!
Nosso inestimável Price (Essa foi boa! Foi de improviso. Honest!) fez uma narração impagável do poema de Poe (aliteração V - haha) “The Raven” (Será que devo explicar para a nossa Drika que não é a banda dos irmãos Gallagher, de Newcastle, o rock de verdade?). Você, eu creio que já saca a história do gato preto (gata?)… Hold my beer de novo! Esse é outro assunto, também de Poe, um lindo conto de horror que foi lindamente musicado por Lou Reed (o transformer), e narrado pela doidivanas Diamanda Galás.
Trata-se, na verdade, da macilenta, maldosa,
deselegante e desgraçada ave agourenta,
que foi bater à porta do aposento do sujeito,
bem naquele momento,
que já era avançada a hora -
e ele havia perdido sua amada Lenora;
batia levemente à porta dos seus umbrais -
ele foi olhar e viu
“Somente trevas e nada mais.”
Pois bem, estou aqui sendo puxado pelo poema de Poe
(pareço gaguejar? Porque, repetindo e repisando: Puxado-Pelo-Poema-de-Poe)
“E quando eu pensava que estava fora, eles vêm e me puxam para dentro de novo!” (Al Pacino, em “O Poderoso Chefão”, Parte II ou III? Creio que é III, porque ele já está de cabelos grisalhos).
Estou aqui, sendo puxado por essa repórter, que quer arrancar de mim uma elucidação em economia.
Drika: “Passamos à política. Qual a sua opinião sobre o cenário político atual?”
Pres. RNB: “Escuta aqui, mocinha, aposto que seu nome se escreve com ‘K’.
Drika: “Acertou! Como sabia?”
Prez. RNB: “Deve ser numerologia, mas deixa pra lá. Se for para falar o que realmente penso da política desse país, e dos outros duzentos países do mundo, eu honestamente acho que não passaria no crivo de gente rebelde como o Marquês de Sade, ou seja lá de quem tenha escrito o “Kama Sutra”. E como disse um ator irlandês, até o diabo ficaria com medo. Ouso dizer que George Carlin ruborizaria. (Que a terra lhe tenha sido leve, George.)
Você sabia que os povos da antiguidade (sem trema mesmo - mas tem um técnico de futebol bem abaixo da média que faz questão de pronunciar essa palavra “questão” como se ela ainda carregasse aqueles dois pontinhos sobre o “u” (Uh! Que pedante!). Caí na digressão de novo.
Eu dizia que os povos de tempos idos acreditavam que todos os gatos pretos eram bruxas disfarçadas.
Superstição de tempos imemoriais. Somente isso e nada mais.
Poe falou, tá falado.
A parceria Poe/Price ainda teve ecos no cinema de animação, quando Tim (não o técnico de futebol - e esse não usava trëmä), o Burton de “Ed Wood”, “A Noiva Cadáver”, “Frankenweenie” etc.), fez uma homenagem singela (termo meu) ao ator do horror da Hammer, quando o convidou para narrar “Vincent”, em 1983, um ano significativo. “Dada”. Repito: 1983, ano em que comi churros pela primeira e última vez!
Outro grande narrador que era tão bom, que quase pôs fim ao mundo, foi Orson Welles. Lembra de “A Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells? Claro que não! Isso foi em 1898 - e não 1983! - pois você nem tinha nascido. Pôs o planeta em pânico (alit. VI), o rechonchudo. A turma, acreditando que o planeta estava sendo invadido por extra-terrestres, ficou com uma repentina vontade de se mandar para não sei onde!
Catapultou sua carreira, que só rendeu mesmo no cinema, destacadamente em ‘Rosebud’, digo, ‘Cidadão Kane’. E quando ele pensava que estava fora (essa frase de novo!) das narrativas há muito, eis que surge o macho, musculoso metalista Manowar (aliteração sétima) e o põe a narrar a faixa "Defender". Deus - leia-se Odin - nos defenda!
Drika (ainda totalmente sem entender patavinas): “Só para encerrar, vossas últimas palavras, porque nosso tempo acabou.”
Pres. RNB: “A economia vai bem mal. Obrigado por nada!”
[Linha de tempo: 04:00 - 06:10]

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